A um metro... no MetrĂ´ SĂ£o Paulo. EstaĂ§Ă£o ParaĂso. O metrĂ´ pĂ¡ra. Com minha prima de Salvador, entro no vagĂ£o, empurrada por uma multidĂ£o apressada. Soa o sinal e a porta se fecha. Quem estĂ¡ ali dentro corre na velocidade do trem. Um homem, mal vestido, com a barba por fazer, grita palavras desconexas, enquanto bate na porta. A moça, o executivo, a senhora, o velho e outros que se espremiam ali se olham, com ar de desprezo ao homem de sandĂ¡lias. Outros nem olham, apenas pensam calados: “deve ser um doente mental, deve estar pedindo dinheiro”. NinguĂ©m diz nada, muito menos se importa com o louco. Ele continua a gritar. Aproximo-me dele, olho nos seus olhos e tento entender o que diz seu desespero: “Minha muiĂ©, minha muiĂ©!!” Pergunto: “O que tem sua mulher?” Ele continua a gritar, enquanto tento decifrar: “Nunca mais vou ver minha muiĂ©!” Continuo: “Calma, senhor, o que aconteceu?” “A porta fechou eu entrei ela ficou ela vai se perder ela Ă© doente nunca mais vou ver minha muiĂ©!! A porta ...