14.10.08 Tento entender por que toda vez que vĂ´o (ai, essa palavra vai perder o acento pelos ares de Portugal) me dĂ¡ vontade de escrever. Um pĂ¡ssaro me disse que Ă© porque ficamos longe das influĂªncias mundanas lĂ¡ de baixo. Mas prefiro acreditar que Ă© porque os raios do sol me tocam mais de perto. Vejo as nuvens como se elas nĂ£o fossem uma realidade tĂ£o distante. Mergulho os olhos, e com eles o pensamento, no infinito do azul do cĂ©u com a certeza de que se o paraĂso existe Ă© mesmo bem parecido com essa paz que sinto aqui. Uma paz que me parece o oposto daquela confusĂ£o que vivi hĂ¡ poucos minutos lĂ¡ embaixo, na gravaĂ§Ă£o do Beleza na Favela. Gritos ensurdecedores, uma vibraĂ§Ă£o tĂ£o grande que nĂ£o deixa meu pensamento fluir. O sol lĂ¡ no chĂ£o parece insuportĂ¡vel e a ansiedade da populaĂ§Ă£o contagia e energiza, mas quase atrapalha. Quando saio de lĂ¡ parece que me sugaram todas as energias. Vivo constantemente nessa inconstante linha entre o caos e a serenidade. Dias de paz alternados com sobre...